Surto de Hepatite A no Rio e em São Paulo preocupa autoridades de saúde

Surtos recentes do vírus da Hepatite A, nas duas maiores cidades do Brasil, vêm preocupando as autoridades de saúde no início de 2018. Há cerca de uma década, a incidência da doença diminuía pelo país, mas nos últimos meses, São Paulo registrou quase 700 casos de Hepatite A na cidade.

Para a prefeitura de São Paulo, o aumento no número dos casos estaria relacionado ao sexo desprotegido, já que o contato com a região perianal pode aumentar o risco de contaminação. Já no Rio de Janeiro, as autoridades acreditam que a Hepatite A tem se espalhado por conta do uso de água contaminada com o vírus.

Em mobilizações para compreender a extensão do problema e conter seu avanço, fiscais da Vigilância Sanitária interditaram um restaurante e um depósito de bebidas localizados no morro do Vidigal, na zona sul da cidade, após exames comprovarem a contaminação da água. Na ação, quase 170 galões de água, de 20 litros cada, foram apreendidos após coleta realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que detectou o vírus da Hepatite A nos locais.

A prefeitura do Rio determinou o fechamento desses estabelecimentos e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) notificou mais 92 suspeitas de Hepatite A no Vidigal, além dos 75 casos já confirmados. A maioria das ocorrências é entre homens com 20 a 30 anos. Tal situação confirma a suspeita de que há um surto da doença na região.

Para evitar a contaminação de Hepatite A, os moradores estão sendo orientados a lavar bem as mãos e utilizar apenas água filtrada ou fervida para preparar os alimentos e beber. A Hepatite A é uma doença infecciosa aguda que entra em contato com o organismo através do aparelho digestivo e atinge o fígado, gerando inflamações. Os sintomas mais comuns são febre, náuseas, fadiga, diarreia e falta de apetite.

De acordo com a SMS, a vacinação contra a Hepatite A faz parte da rotina das Clínicas da Família e unidades de saúde, sendo grátis para crianças até cinco anos de idade. Entretanto, a doença não tem cura e os medicamentos disponíveis apenas tratam os sintomas e agem para impedir o avanço da doença.

 

Crianças acima de seis meses podem ser vacinada contra febre tifoide, aprova OMS

Foi aprovada pela OMS – Organização Mundial da Saúde – a primeira vacina que irá combater a febre tifoide, conhecida como TCV, e poderá ser administrada em crianças com idade superior a seis meses. O anúncio oficial foi realizado no dia 3 de janeiro de 2018, mas o lançamento oficial da vacina foi feito no mês de dezembro de 2017.

Esta decisão ocorreu logo após um grupo de cientistas que prestam assessoria estratégica para OMS ter concluído em 2017 que as crianças com idade maior do que seis meses podem ser vacinadas com a TCV, principalmente em países onde o número de ocorrências da febre tifoide é muito grande.

Existem vacinas com maior potencial de combate à doença, chamadas de vacinas conjugadas, com o poder de produzirem um maior grau de imunidade em comparação com as antigas vacinas. Elas exigem uma dosagem menor e ainda assim garante uma eficácia na resposta contra a febre tifóide, podendo ser aplicadas junto à programas de imunização que ocorrem constantemente em vários países.

O aval para o uso da vacina em crianças acima dos seis meses de vida abre precedentes para que outras agências ligadas a ONU – Organização das Nações Unidas – façam uma adesão ao imunizante, como é o caso da Gavi – Aliança Mundial para Vacinas e para Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância. Logo após o aval dado pelos especialistas assessores da OMS, a recomendação para o uso da vacina conjugada se tornou prioridade em países com altas taxas de casos da doença, onde também a incidência da bactéria Salmonella Typhi são maiores. Também levando em conta que a vacina irá possibilitar uma redução drástica do uso frequente de antibióticos, a resistência da bactéria tende a ser menor.

Funcionando de forma letal, a febre tifoide age como uma grave infecção, que acaba sendo transmitida através de alimentos e água contaminada, que permitem a transmissão do bacilo responsável pela doença. O contato direto com a urina ou as fezes de pessoas contaminadas com a doença também é um agente transmissor.

Nos países com condições de vida precárias, onde não existe uma infraestrutura adequada, com péssimas condições sanitárias e de higiene, a doença afeta diariamente a realidade destas pessoas. Segundo dados da OMS, são registrados 161 mil mortes relacionadas com a febre tifoide no mundo todo.

 

Mais de 300 mil brasileiros morreram por erros em hospitais em 2016

Erros em hospitais são tão comuns que em 2016, 302.610 brasileiros morreram por uso inadequado de equipamentos, enganos em prescrição de medicamentos e infecções hospitalares. Os dados apontaram que houve 829 mortes todos os dias relacionadas a erros em hospitais, o que significa três mortes a cada cinco minutos.

Chamados também pelos médicos de “eventos adversos”, os erros banais mais cometidos em hospitais já são o segundo maior fator de morte no Brasil, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares que mata todos os dias 950 brasileiros. Os dados divulgados no dia 22 de novembro de 2017 foram coletados a partir de prontuários de hospitais públicos e particulados e foram traduzidos em um relatório feito pela UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais.

O professor da UFMG, Renato Couto, que também foi um dos autores do relatório elaborado pela universidade com nome de “Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil”, afirmou sobre os dados: “Não existe sistema de saúde que seja infalível”. Couto alega que a falta de transparência sobre esses erros torna o problema mais difícil de ser combatido:  “Mesmo os mais avançados também sofrem com eventos adversos. A diferença é que, no caso brasileiro, apesar dos esforços, há pouca transparência sobre essas informações e, sem termos clareza sobre o tamanho do problema, fica muito difícil começar a enfrentá-lo.”

Contudo, o relatório não evidencia que os erros cometidos nos hospitais são causados exclusivamente pelos profissionais da saúde. O relatório diz que as causas do problema são muitos, sendo assim, é difícil culpar apenas um fator que possa admitir a culpa dessas mortes. Dentre as muitas causas estão a carga de trabalho considerada excessiva de muitos profissionais da saúde e o protocolo de atendimento ineficiente.

Embora os dados sejam astronômicos, o Brasil não é o único a registrar essas falhas em hospitais. No mundo, 42,7 milhões de pessoas morrem todos os anos por erros em hospitais. Nos Estados Unidos, a EBC informou que diariamente, a taxa de mortalidade relacionada a erros em hospitais é 16% menor que a do Brasil, sendo 1.096 mortes para uma população que tem aproximadamente 325 milhões de pessoas.

 

Poluição do ar prejudica o desenvolvimento cerebral de crianças, diz UNICEF

De acordo com um relatório realizado pela UNICEF, 17 milhões de crianças em todas as partes do mundo estão tendo seu desenvolvimento cerebral afetado pelo ar tóxico. O relatório foi publicado em dezembro de 2017.

Segundo o relatório, dois terços das crianças de todo o mundo são afetadas pela inalação de gases tóxicos contido no ar. Uma parcela de 12 milhões de crianças que vivem no sul da Ásia estão expostas diariamente à níveis seis vezes maior do que o recomendado pela ONU – Organização das Nações Unidas. Partículas de vários poluentes têm o poder de danificar o tecido cerebral e atrasar o desenvolvimento cognitivo dessas crianças ao longo da vida delas, diz o relatório.

A poluição contida no ar é uma das questões de mais impacto para à saúde infantil em todas as partes do mundo. A pneumonia atinge 920 mil crianças com idade menor do que 5 anos todos os anos, sendo as crianças com menos de 1 ano as mais afetadas.

O cérebro de uma criança sofre alteração no processo de crescimento, causando transtornos críticos quando essa exposição a níveis elevados de poluição do ar acontece nos primeiros 1000 dias de vida desta criança. Nesta fase da vida, as conexões neurais fundamentais para o desenvolvimento saudável de uma criança são geradas, e devem ser preservadas.

No período de desenvolvimento, o tecido cerebral jovem é muito vulnerável a doses pequenas de produtos poluentes contidos no ar. Isso em níveis elevados, acaba sendo catastrófico para o futuro de uma criança.

“O cérebro de bebês e crianças pequenas são construídos por uma interação complexa de conexões neurais rápidas que começam antes do nascimento. Essas conexões neurais formam o pensamento ideal, a aprendizagem, a saúde, a memória, as habilidades linguísticas e motoras de uma criança”, explica a chefe do desenvolvimento da primeira infância da UNICEF, Pia Rebello Britto.

“O grande número de bebês que vivem em áreas altamente poluídas do nosso mundo, combinado com a evidência emergente apresentada neste novo artigo, oferece um alerta urgente para agir contra poluentes”, explica o vice-diretor executivo da UNICEF, Justin Forsyth.